quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Crítica - Caminhos da Floresta

Análise Crítica - Caminhos da Floresta

Review - Caminhos da FlorestaAntes de Shrek ou Once Upon a Time misturarem universos de contos de fadas, o musical Into the Woods já fazia isso no teatro desde o fim dos anos 80. Assim como muitas obras recentes, lançava um olhar mais revisionista sobre esses contos. Quando a Disney anunciou que faria sua versão do musical, temi que suas críticas à moral dos contos e à ideia do "felizes para sempre" fosse limada pela casa do Mickey em prol de um filme menos pessimista e mais "família". Felizmente esse não é o caso e a mensagem central da obra se mantém, apesar de mudanças aqui e ali que certamente darão motivos a reclamações dos mais puristas.

O musical acompanha um padeiro (James Corder) e sua esposa (Emily Blunt) que não conseguem ter filhos por causa de uma maldição jogada sobre a família dele. Uma alternativa se apresenta quando a bruxa (Meryl Streep) que mora ao lado se oferece para reverter a maldição, mas para isso precisará de quatro itens mágicos. Assim, o casal adentra o bosque próximo à sua vila na busca pelos itens e no caminho encontrará personagens como Cinderella (Anna Kendrick) e Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford). Entretanto, o final feliz não chega tão fácil quanto se pensa.

As canções são muito boas e transmitem os desejos e anseios de seus personagens. Os atores realizam seus números com competência, com destaque para a satírica canção do príncipe encantado (Chris Pine) cujo tom propositalmente brega se assemelha a um videoclipe de boy band, aproveitando a seu favor a canastrice de Chris Pine. É, no entanto, a bruxa de Meryl Streep que mais chama a atenção dominando cada momento em que está em cena. O filme também acerta no tom mais sombrio, aproximando-os dos contos nos quais se baseia, mostrando os métodos extremos que as meias-irmãs da Cinderella recorrem para calçar o famoso sapatinho, ou deixando claro o subtexto sexual entre chapeuzinho e lobo (Johnny Depp).

O problema do filme está no ritmo da trama. Como a última canção deixa claro, o objetivo da obra é mesmo repensar a ideia do "felizes para sempre" dos contos, bem como algumas lições de moral que não são adequadas aos dias de hoje. Porém o filme demora demais para chegar nos eventos após o tradicional fim dos contos e tudo parece apressado demais. Algumas coisas, como os problemas no casamento do padeiro ou a falta que João (Daniel Huttlestone) sente de suas aventuras no pé de feijão são abordados e resolvidos muito rapidamente. Além disso, o fato do filme poupar uma personagem que morre no musical dá a impressão de que o final feliz é realmente possível, sendo que sua construção retórica vai num sentido diametralmente oposto.

Apesar dos tropeços, em especial dos problemas com o ritmo da narrativa, Caminhos da Floresta consegue acertar em sua representação mais cínica (e talvez mais pé no chão) dos contos de fada, na qual príncipes não são tão encantadores e finais felizes não duram para sempre.


Nota: 7/10

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